Decifrando a Linguagem Corporal: um olhar de dentro

Por Fabrício Rocha

Nesta postagem para o blog da ECCOS me distancio um pouco do jornalista que mora dentro de mim. Não espere agora pela imparcialidade técnica da minha profissão, já desmontada pelo romantismo deste narrador, desta vez, protagonista. Conto neste relato minha primeira imersão no trabalho da ECCOSocial, com quem me propus a trabalhar há uns meses. Pela primeira vez conheci o trabalho de dentro pra fora. Fui beneficiado pelo poder transformador de uma bela equipe e por isso escrevo como participante do curso Decifrando a Linguagem Corporal, que aconteceu no último fim de semana, entre os dias 19 e 21 de setembro.

Vivenciando o curso

Quando comecei minha busca pelo autoconhecimento pensei que devia observar apenas a minha mente. Já se torna desnecessário dizer que vivemos em um mundo estressante que cada vez mais parece brigar contra nossa saúde de uma forma em geral, nos fazendo ter que pensar cada vez mais rápido, com cada vez maior quantidade de informação. A mente não dá conta e o corpo sente. Mas onde começa um e termina o outro? É melhor não parar para pensar se não quiser cansar. Achar uma resposta para essa pergunta já é um estresse por si só.

Na verdade nós ocidentais estamos acostumados a separar coisas que nasceram juntas. A ver pelas especialidades médicas que estão cada vez mais focadas em uma parte específica do corpo. Tratamentos integrativos já são realidade até no serviço público de saúde brasileiro, mas ainda são poucos divulgados, pouco trabalhados e não se sabe quando estarão realmente acessíveis para a maioria da população.

É esse um dos fios condutores do Curso Decifrando a Linguagem Corporal: a tomada de consciência de que nosso corpo: físico, mental, social, espiritual, um todo energético, é uma coisa só e se comunica conosco através de sinais. Sinais que em nosso corpo de carne, o que há de mais latente em nós, chamamos de sintomas.

Fazemos, às vezes, julgamentos sobre o corpo de outro, mas esquecemos de olhar literalmente para o nosso umbigo, nossos membros, nossos órgãos. Deixamos de sentir esse corpo e nesse processo nos distanciamos. A nossa própria matéria se torna estranha e não sabemos mais entender os recados. Adoecemos.

Durante o curso mergulhamos dentro de nós, acompanhados pela nossa criança interior, que no meu caso tinha sido abandonada. Eu a julgava fraca porque quando em seu momento ápice teve que criar artimanhas para se livrar do bullying, do julgamento, da vergonha. A esperta criança foi construindo um castelo de muros altos e no meio de um labirinto se perdeu. Ao se dar conta do tamanho das paredes se sentiu inferior e com medo não percebeu que tinha sido responsável por obra de tamanha grandeza. Como autor, deixei de ser protagonista do meu conto, pois achei que o fruto da minha astúcia sobrevivente era mais importante do que quem eu era e, até, do que sempre fui capaz de fazer.

A convivência com os colegas de curso e facilitadoras é indispensável. Quando eu preparei a publicidade e os textos para a divulgação passei por essa palavra “facilitadora” diversas vezes sem entender o real significado. Na verdade ela quer dizer que quem ministra o curso não tem uma postura tradicional de professora, mas participa o tempo inteiro, vivendo e sentindo junto com a gente, ensinando com a própria experiência e aprendendo o tempo todo com a nossa. Nada mais apropriado. Além do mais, olhar para os colegas participantes e ver todos de mãos dadas nesse caminho é muito importante para continuar. É delicioso compartilhar o choro, a risada, a descoberta…

Para mim, descrever essas sensações é mais importante do que definir o curso em termos técnicos. Afinal é essa humanização que permeia o trabalho da ECCOSocial. Por isso, como participante eu recomendo: não perca a próxima edição de Decifrando a Linguagem Corporal e nossos outros cursos.

Para ver todas as fotos da última turma do curso clique AQUI.

 

 

 

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Encontro sobre A Arte do Cuidar reúne profissionais da educação em Trajano de Moraes

Por Fabrício Rocha

Quase 120 professores da rede pública de ensino se reuniram na Escola Municipalizada Alfredo Lopes Martins, no Centro da cidade de Trajano de Moraes, para participar do encontro Cuidando de Quem Cuida, ministrado pela ECCOSocial da Região Serrana a convite da Secretaria Municipal de Educação. A atividade, que aconteceu no último dia 14 de julho, foi conduzida pelas terapeutas comunitárias Marise Lutterbach, Cristina Pinho e Tereza Christina Rocha. Um dos principais objetivos foi a vivência, que proporciona o resgate da unidade do ser, na perspectiva do reforço da autoestima do participante. Grupo reunido no início da atividade

Tudo começou com uma grande roda e uma cantiga. Aos poucos os participantes foram convidados a se aproximar do centro da sala, se conhecer um pouco mais e assim foram todos ficando à vontade. Durante quatro horas de encontro o público experimentou uma parte teórica e outra prática, com vivência psico-corporal que permite entrar em contato com as próprias emoções, olhar para si, identificar e expressar alguns sentimentos e motivações para o cuidar. A intenção foi fazer com que esses profissionais retornassem mais acolhedores ao trabalho. Continuar lendo

Quando o remédio é a palavra – Sobre saúde e sensação de bem-estar

 Texto publicado pela Jornal A Voz da Serra em versão impressa e online (http://www.avozdaserra.com.br/)

04_07_2014_06_04_09_f1A psicóloga e psicodramaticista Tereza Cristina Rocha é dona de um vasto currículo profissional e acadêmico. Basta dizer que durante 23 anos foi psicóloga do Ministério da Marinha e, depois que se aposentou, vem levando a cabo um trabalho da maior importância aqui em Nova Friburgo. Pós-graduada em Terapia Comunitária pela Universidade Federal do Ceará, Tereza tem diversos cursos de especialização, entre eles o de tratamento da Dependência Química no consulado dos EUA e de atendimento terapêutico de portadores de doenças crônicas e de vítimas de violência doméstica, entre outros.

Hoje em dia, integra a EccoSocial da Região Serrana, uma rede que trabalha no sentido de promover mudanças nas realidades pessoais e coletivas. Para tanto, utiliza uma técnica denominada Terapia Comunitária Integrativa, que busca estimular a partilha de experiências de vida no sentido de prevenir e/ou compreender o adoecimento físico, emocional e social. A psicóloga explica como esta técnica é aplicada e sua eficácia aqui neste Ponto de Vista.

Tereza Cristina Rocha

Não é de hoje que ouvimos reclamações de pessoas que qualificam a saúde como o calcanhar de Aquiles de nossa cidade. Além das doenças que maltratam a população, o índice de acidentes, a dependência de drogas e a violência aumentam a cada dia. O que estaria acontecendo? Qual a responsabilidade de cada um de nós neste contexto? O que buscamos ou de fato queremos?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a saúde seria “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. Completo bem-estar? Seria isso possível ou não passaria de uma utopia? Na verdade, ter ou estar com saúde requer uma visão ampliada da vida.

O equilíbrio entre diferentes fatores é que definem a qualidade do viver. Para tanto, o que precisamos fazer? Como evitar as doenças? Onde estaria o salvador da pátria capaz de mostrar o caminho ou de resgatar as pessoas da aflição cotidiana, como num passe de mágica?

Infelizmente, eu não tenho as respostas. Como disse o poeta Thiago de Mello, “tive um chão (mas já faz tempo), todo feito de certezas, tão duras como lajedos. Agora (o tempo é que fez), tenho um caminho de barro, umedecido de dúvidas”.

Por outro lado, fiquem certos, a dúvida liberta. Instiga a observação, ao questionamento, à criação e à transformação. As questões são antigas e exigem, em primeiro lugar, reflexão. É preciso remexer a memória para depois conseguirmos resgatar o sentido das coisas simples, talvez antigas também, moldando-as como o barro. Atenção à fala do povo, expressa através de gerações, que traz em si um saber normalmente esquecido.

Nada de convicções. Nietzsche já dizia: “Toda convicção é uma prisão”. E não é? Apesar de transmitirem segurança, as certezas iludem e cegam, fazem crer que tudo é claro, óbvio e único. Ou seja, não permitem que a gente identifique e aceite outras formas de ver a mesma coisa. Deixamos de relativizar, de contextualizar o que vimos e percebemos.

A Terapia Comunitária Integrativa (TCI), proposta terapêutica genuinamente brasileira, criada pelo psiquiatra Adalberto Barreto, professor da Universidade Federal do Ceará, encara a dúvida como um caminho. Até com pessoas simples, sem formação acadêmica, é possível elaborar reflexões profundas que permitem desenvolver habilidades para facilitar o autoconhecimento e a compreensão da própria história.

A partilha de experiências de vida, proposta básica da TCI, mostra diferentes formas de caminhar. Ouvindo relatos de outros, aprendemos a dialogar com o nosso corpo para identificar e entender os sinais que ele emite. E, a partir daí, aceitar outras práticas não convencionais de cuidado e atenção à saúde.

“Seja bem-vindo, olê-lê, seja bem-vindo, olá-lá, paz e bem pra você, que veio participar…” Assim começam as rodas de TCI. A presença de todos é bem-vinda porque cada pessoa presente traz a riqueza de suas experiências, de sua sabedoria, de suas crenças e tradições, que nem sempre são reconhecidas e valorizadas. Para nós, tudo é estruturado com base na prática e definido de forma encadeada, numa sequência de envolvimento crescente.

Acolher é a palavra-chave. O clima amoroso e de respeito mútuo valoriza cada um dos participantes e sua sabedoria, aquela que todos nós temos, mas que muitos acham que não possuem. Celebrar a vida é o convite inicial.

Conosco, o remédio é a palavra. “Quando a boca cala, o corpo fala. Mas quando a boca fala, o corpo sara.” Tudo aquilo que é trazido pelos participantes é agregado como material que enriquece e dá poder às pessoas e à comunidade ali reunidas. Vale lembrar que muitas vivências e sentimentos não são, necessariamente, “falados” através de palavras, mas de cantigas, provérbios, mitos, poesias e lendas.

Mas, para um bom desenvolvimento da conversa, é preciso seguir algumas regras. Mesmo os mais resistentes compreendem com o tempo que as regras envolvem uma forma de relacionamento e convivência saudável. Todos são reconhecidos como cidadãos e seres humanos iguais, com direitos e deveres.

O que confere homogeneidade ao grupo é o sentimento, a dor e sofrimento. Não rotulamos nem diferenciamos “doentes” e “normais”, o que põe fim ao preconceito, aos estereótipos e discriminação. Isto facilita a reflexão, a criatividade e o restabelecimento de vínculos que geram a compreensão necessária para a mudança. Quem já experimentou sentimentos semelhantes fala o que sentiu e o que fez para superar.

Assim, o grupo torna-se um continente acolhedor, que dá confiança e suporte a quem se expôs. Confirma-se um movimento saudável que exercita a cidadania e estimula a solidariedade. Com isto, as pessoas vão identificando projetos comuns, abrindo espaços comunitários que fortalecem os vínculos sociais e atendem a suas reais necessidades. Praticam nas rodas de que participam a valorização, o aconchego e a confiança.

Neste espaço de convivência, todos são corresponsáveis no enfrentamento dos sofrimentos e problemas do cotidiano. A Terapia Comunitária nasceu parceira, integrando o conhecimento acadêmico e a sabedoria popular. Atende indivíduos, famílias e comunidades onde o sofrimento humano é o contexto norteador.

É surpreendente a força e a potência do grupo. A generosidade solidária e a capacidade que os relatos em grupo têm de transformar pessoas e comunidades são encantadoras. Neste espaço acolhedor onde o abraço massageia os corações, o respeito e a aceitação das diferenças facilitam a descoberta dos potenciais de cada um, participamos de um mundo mais humano.

Afinal, todos temos uma capacidade infinita de identificar habilidades e recursos capazes de transformar o sofrimento e a dor em aprendizado pessoal e social, valorizando as pequenas conquistas. E de encarar cada pedra no caminho como um processo de real importância para alcançarmos a superação.

Enraizamento Criativo

Por Rolando Lazarte em 22/05/2013 – http://www.consciencia.net/enraizamento-criativo/

raízes1          Como o que eu sou e o que eu faço hoje, estão enraizados na minha história de vida? A gente pode prestar atenção a estas duas perguntas, que são na verdade uma só. O que eu sou, está enraizado na minha história de vida? De que maneira? O que eu faço, está enraizado na minha trajetória existencial?
Quando a gente presta atenção a estas perguntas, percebe que a totalidade do nosso ser foi sendo construída laboriosamente o ao longo de diversas circunstâncias. Nem sempre nos foi dado fazer a melhor escolha. Podemos ter errado, mas isto foi resultado de uma situação determinada, sobre a qual não tínhamos suficiente controle.
Hoje podemos ter sobre nós mesmos um olhar integrativo, um olhar que compreende e ama. Estas perguntas são feitas no contexto da Terapia Comunitária Integrativa em nos cursos de Cuidando do Cuidador*. Aos poucos a pessoa vai se soltando, vai se deixando vir. Vai compreendendo que ela não é um resultado imutável. Ela pode ser ela mesma.
Ela não é somente os papéis que executa nem as tarefas que é levada a fazer. E esses papéis e tarefas, estão também enraizados na sua história de vida. Ela escolheu, eu escolhi, todos escolhemos ser o que somos. Podemos nos ver como resultado das nossas próprias escolhas. Nem sempre, repito, terão sido as melhores escolhas, mas foram escolhas nossas. E elas nos fazem ser a pessoa que somos hoje.

*Tecnologias de cuidado criadas por Adalberto de Paula Barreto.

O que é T.R.E.?

TRE (Tension & Trauma Releasing Exercises)
Exercícios para Libertação do Trauma e da Tensão

Com o aumento da violência, dos assaltos, dos sequestros, os conflitos armados, do terrorismo, das catástrofes naturais ou induzidas pelo homem, ‘traumatismo’ e ‘estresse pós-traumático’, são conceitos que começam a dominar esta etapa da história humana (Berceli, BookSurgeLLC, 2005)
Os exercícios para o tratamento dos sintomas tais como: (Irritabilidade, insónia, dores musculares, depressão, ataques de raiva, síndrome de pânico, isolamento social, agressividade e nervosismo entre outros) visam restaurar a vitalidade do organismo e ultrapassar o choque provocado por situações de extrema ameaça, gerando o denominado estress e ou distúrbio do stress pós-traumático. A metodologia apóia-se nos mecanismos naturais de regulação do organismo, nos aspectos neurológicos, psicomotores e emocionais.
Através desta sistematização proporcionada por este método damos ao corpo a oportunidade de liberação da energia presa em nossa musculatura que ficou retida após um evento traumático. Esses exercícios são simples e devolvem ao corpo e á mente o equilíbrio emocional e o relaxamento corporal, a um nível aceitável para a manutenção da qualidade de vida.
A sistematização desses exercícios, através do centro de gravidade do corpo localizado na pelves, onde se encontra o músculo psoas induzirá, uma vibração que será erradiada por todo corpo indo ao encontro das tensões profundas encontradas na musculatura, dissovendo-as naturalmente.
Esta vibração é responsável pela quebra das tensões presentes na musculatura, devolvendo a leveza e a graça a um corpo saudável e livre de tensões. A vibração é de origem neurogênica, ou seja, tem origem no sistema nervoso, pertence ao corpo humano e acontece naturalmente. Este método tem como âncora os mecanismos naturais de regulação do organismo, nos aspectos neurológicos, psicomotores e emocionais.

Benefícios alcançados pelos participantes dos grupos:

Diminuição da ansiedade;
Mais energia e resistência corporal;
Melhoria nas relações interpessoais;
Gestão do estresse no ambiente de trabalho;
Melhoria na qualidade do sono;
Redução de dores musculares;
Estabilidade emocional;
Diminuição dos sintomas do trauma acumulados por profissionais engajados em ajudar pessoas em situações difíceis;
Libertação da carga energética contida no corpo provocada pelo estresse e/ou trauma;
Promoção no alívio dos sintomas provocados pelo excesso das tensões localizadas na musculatura;
Favorecimento a saúde e a qualidade de vida das pessoas;
Entre outros;

DEPOIMENTOS COLHIDOS APÓS O TÉRMINO DO TRABALHO
“Hoje não senti dor de cabeça e isso já é muito raro, estou mais feliz, mais forte para enfrentar as coisas”. (Cienilda, 32 anos)

“Dormi bem e não tomei remédio, só durmo com 60mg. Dormi feito “pedra” e estou muito bem. Meus remédios de artrose acabaram e não comprei. Não estou sentindo dor!” (Judite, 50 anos)
“Tenho enxaquecas há 30 anos, e essa experiência tem mudado os meus dias, de ontem para hoje senti mais paz”. (Zeza, 59 anos)

“Melhorei muito a minha auto-estima, dormi bem e passei o dia bem disposta, consigo respirar mais livremente”. (Mônica, 21 anos)

“Estou mais tranquila, com menos tensão, com minha mente melhor. Estou sentindo um bem físico e mental muito grande”. (Gisley, 32 anos)

“As dores nas costas passaram e estou muito bem, trabalhei o dia todo sem dor”. (Marília, Fisioterapeuta, 32 anos)

“Cada dia estou melhor da ansiedade, mais tranquila, mudou até minha maneira de agir, estou mais paciente, me renovei bastante”. (Nely, 56 anos)

“Estava com fortes dores na perna e após os exercícios as dores sumiram”. (Berenice, 48 anos)
“Senti algo muito forte como uma descarga no corpo todo, me sinto viva, em contato com o mundo, foi ótimo!”. (Janaina, 25 anos)

“Melhorei muito das dores nos ombros e da dificuldade de respirar que sempre tive, agora estou mais leve”. (Nayana, 17 anos)

Retirado de http://www.prevencaodotrauma.com/tre/

Encontros e Diálogos da Defesa Civil

        Realizado no dia 18 de julho evento que teve como objetivo contribuir para uma comunidade mais segura, além de ressaltar a importância do compromisso social da população no processo de mudança cultural para a percepção dos riscos e ameaças. Contribuições da psicologia das emergências e desastres; atuação do psicólogo nas ações de Defesa Civil; contribuições dos diversos saberes no cenário dos desastres: construção de parcerias e contribuições do psicólogo aos afetados; atenção às vítimas em situações de emergências e desastres; suporte psicológico e ações psicossociais — e atenção as equipes de intervenção (de resposta) —; suporte psicológico no estresse das ações de resposta e pós-desastres também são objetivos do evento.

Tereza Cristina Rocha, terapeuta comunitária da ECCOSocial, orientando uma Dinâmica de Grupo

Tereza Cristina Rocha, terapeuta da ECCOSocial, orientando uma Dinâmica de Grupo

               A ECCOSocial participou e destacou-se na aplicação de dinâmica estimuladora de discussão sobre o a situação pós-traumática da população vitimizada e, também, o estresse dos profissionais envolvidos no socorro e apoio aos atingidos.
Aliás, uma das reflexões mais comentadas foi de que todos os envolvidos nas situações de catástrofes e desastres podem ser qualificados de afetados. E, sob este ângulo, todos precisam ser cuidados.

        A Terapia Comunitária Integrativa foi identificada como um dos recursos mais disponíveis e de baixo custo para promover a formação de uma rede social solidária de cuidados como potencial de prevenção e autocuidado nas comunidades.

Os exercícios para descarga do trauma (T.R.E.) foram apontados como recurso pontual, prático e barato, possível de ser aplicado a grandes grupos de afetados, podendo proporcionar conforto e relaxamento aos afetados em situação de extremo estresse e traumas variados.

        A ECCOSocial oferecerá, nos dias 12 a 14 de outubro de 2012, um Workshop Vivencial – Trabalhando o Estresse e Trauma em Larga Escala – sob a coordenação de Mariano Pedroza, psicoterapeuta holístico, analista bioenergético, trainee internacional de T.R.E., terapeuta comunitário com 10 anos de experiência em trabalhos com populações em situação de risco no Brasil e na África.

Ps. Este workshop inclui um dia inteiro de aplicação da técnica do T.R.E. com um grupo de 200 moradores das comunidades mais atingidas na catástrofe de 2011 em Nova Friburgo.

GAM & ECCOSocial na Rio+20

        Nova Friburgo estará presente na Cúpula dos Povos, evento organizado pela sociedade civil formado por mais de 50 redes nacionais e internacionais, que ocorrerá paralelo a Rio+20.

        A abertura acontece amanhã, 15 de junho, no Aterro do Flamengo, na capital do estado e deve receber cerca de 30 mil pessoas por dia.

        O Grupo Articulação dos Movimentos, o GAM, de Nova Friburgo, teve sua participação confirmada por se enquadrar em um dos três eixos da Cúpula.

        O Grupo vai apresentar uma retrospectiva dos acontecimentos que marcaram a história do município, tendo como ponto de partida a ocorrência da maior catástrofe climática da história do Brasil, em janeiro de 2011.

        Será apresentado ainda um panorama ambiental local antes e depois da tragédia e as articulações via redes sociais, da internet, o início das mobilizações populares e o surgimento de ideias e projetos focados no estímulo à cidadania e de tornar a cidade sustentável com os desafios do século XXI.

        A “Apresentação do case Nova Friburgo” acontece no domingo, 17, das 11h30m às 13h30m, na Tenda nº 21 – Margarida Alves. A ECCOSocial estará facilitando a roda de compartilhamento sobre dificuldades, superações e possíveis soluções para o acontecido e consequências sócio-geográficas em Nova Friburgo, mediando tudo sob as regras da Terapia Comunitária Integrativa.

Pesc mobiliza comunidades para tratar de prevenção, segurança e cidadania

“A Terapia Comunitária pretende melhorar as relações sociais dentro da comunidade. Dessa forma, se caracteriza por trabalhar sujeitos sociais com condições ambientais específicas atenta à subjetividade de cada um, assim busca melhorar a qualidade de vida daquela população.”
Autora: Sâmia Cristina Luquiari Araújo

 

      Viajando pela Psicologia, decidi estudar mais sobre Terapia Comunitária, sendo mais um intrumento para o psicólogo, vou tentar discorrer sobre o assunto…
       Em primeiro lugar devemos pensar em Comunidade, que no dicionário significa: estado em que é comum, comunhão, paridade, identidade. e ainda: Agrupamento social que se caracteriza por acentuada coesão baseada no consenso espontâneo dos indivíduos que o constituem.
     Concluímos então que a comunidade é constituída por um grupo de indivíduos que se reúnem por um objetivo comum, ou seja, um compartilhamento de idéias. Ex.: vila, igreja, sindicato, etc.
       A Terapia Comunitária pretende melhorar as relações sociais dentro da comunidade. Dessa forma, se caracteriza por trabalhar sujeitos sociais com condições ambientais específicas atenta à subjetividade de cada um, assim busca melhorar a qualidade de vida daquela população.
Esse intrumento permite construir redes sociais solidárias de promoção da vida, e mobilizar os recursos internos dos indivíduos, valoriza o ser humano inserido na comunidade, permite a troca de experiências, reunião de pessoas e participar de vivências.
     O movimento da terapia comunitária é através de grupos onde as pessoas expressam sofrimentos e situações de crise através da fala.
       O mais interessante desse trabalho é que valoriza a cultura, o indivíduo e sua subjetividade, é mais do que ir até a comunidade e identificar o problema, é intervir no problema e permitir que aquelas pessoas construam conhecimento e maturidade para lidar com sua vida, famílias, convivência em grupo… Se torna um serviço de inclusão e valorização do potencial do ser humano, permitindo seu pleno desenvolvimento.
        Os principais objetivos do psicólogo depois de um estudo prévio da comunidade através da terapia é desenvolver atividades de prevenção e inserção social, promover a integração das pessoas além de promover encontros interpessoais e intercomunitários valorizando a história individual e a identidade cultural, a fim de restaurar a autoestima e a autoconfiança, aliviar o stress e permitir construção do conhecimento.
       A terapia destina-se a pessoas com problemas familiares, psicoemocionais, psicossomáticos, hipertensão, diabetes, gestação, dependência química, HIV positivo. Envolve adulto, idoso, criança e adolescente.
       Como todo trabalho em grupo destaco a importância de se dominar técnicas de Dinâmica de grupo e aplicar corretamente de acordo com a necessidade de cada grupo.
       Essa terapia nos convida a uma mudança de foco, ir além do unitário para atingir o comunitário, o que nos remete a importância da influência do meio no amadurecimento do indivíduo.

Alguns dados sobre terapia comunitária no Brasil
       12.000 Terapeutas atuam em 25 estados: Acre, Pará, Rondônia, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Bahia, Rio Grande do Norte, Piauí, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná, Rio Grande do Sul.
Devido às diferenças regionais e às incontáveis influências culturais existentes no Brasil, a TC tem recebido contribuições valiosas para o enriquecimento e a ampliação de suas possibilidades de atuação.
       A proposta atual é incorporar a TC como instrumento de promoção da saúde, nos programas de Saúde da Família, desenvolvimento social e educacional. (http://www.mismecdf.org/tc.php).

(Retirado integralmente de http://psicomania.com.br/?p=422)

Contribuições da terapia comunitária para o enfrentamento das inquietações de gestantes

Considera-se que a Terapia Comunitária Integrativa (TCI) vem se constituindo em uma importante tecnologia de cuidado com gestantes, na atenção básica de saúde. Esse é um trabalho pioneiro que oferece contribuição significativa para melhoria da saúde, alívio do sofrimento e das inquietações vivenciadas por ocasião da gravidez, contribuindo também para a construção de uma experiência positiva no processo de parto e nascimento para a mulher e seus familiares.

[…] As mulheres representam 51,2% da população brasileira, constituindo, aproximadamente, 89 milhões. A população feminina é responsável pela maior demanda de ações de saúde, ou seja, as mulheres são as principais usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS)[i] .

Entretanto, o Relatório sobre a Situação da População Mundial aponta que o número de mulheres pobres é superior ao de homens e a carga horária de trabalho das mulheres é maior e pelo menos metade está em atividades não remuneradas[ii]. Essa desigualdade e a sobrecarga de trabalho acarretam prejuízos e agravos à saúde das mulheres.

[…] Práticas de saúde que esvaziam os sujeitos, de suas histórias, falas, singularidades, reproduzindo, de maneira sistêmica, modelos que não condizem com sua realidade favorecem a perpetuação do cenário de discriminação, violência, angústia e ansiedade para as mulheres.

[…] Embora a gestação seja um evento biologicamente normal, cada gravidez é vivida de maneira única por uma mulher e está inserida em um contexto familiar e social específico, logo, é uma vivência tanto individual como grupal e familiar que exigirá o desenvolvimento de novos papéis na busca de sua identidade[iii][iv].

[…] A história que cada mulher grávida traz deve ser acolhida integralmente, a partir do relato e da vivência de suas experiências. A assistência pré-natal é, portanto, um momento propício para se discutir, esclarecer e ouvir as inquietações das mulheres[v].

Nos encontros de TCI percebeu-se que as mulheres traziam em si a gestação de vidas, sonhos, dores, esperanças, medos, incertezas, inquietações, além de suas carências clínicas e a ausência de espaços para socializar falas.

[…] A TCI vem sendo desenvolvida em João Pessoa/PB na Unidade de Saúde da Família Ambulantes, sendo parte de um projeto de extensão intitulado: Terapia Comunitária: uma ação básica de saúde mental, em parceria da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) vinculado a docentes, do Departamento de Saúde Pública e Psiquiatria (DESPP) /Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf), há mais de dois anos. Neste projeto, busca-se estudar e ampliar o conhecimento sobre a temática, uma vez que, na extensão, a terapia ganha uma repercussão positiva, gerando mudanças para a melhoria da qualidade de vida de seus participantes[vi]. Vêm participando dessa atividade moradores da comunidade, profissionais de saúde da unidade, professores e alunos da graduação e da pós-graduação em enfermagem da UFPB.

[…] A TCI constitui-se de um espaço público aberto, de ajuda mútua, onde se aborda tanto o indivíduo na sua singularidade como no seu contexto social, familiar e cultural. Através da escuta das histórias de vida de cada pessoa, todos se tornam corresponsáveis pela superação dos desafios do dia-a-dia, despertando a solidariedade, a partilha, valorizando-se a dinâmica interna de cada indivíduo e sua capacidade de transformação individual e coletiva[vii].

Os encontros de TCI tecem redes de apoio e despertam possibilidades de mudanças, já que as pessoas da comunidade participam de uma mesma cultura e partilham entre si recursos de comunicação e laços de identidade, apresentando afinidades em seus sofrimentos e a busca de soluções para os mesmos[viii].

A TC como prática de cuidado à saúde se fundamenta nos conceitos de promoção da saúde e prevenção do sofrimento psíquico e está ancorada em cinco fundamentos teóricos conceituais: pensamento sistêmico, teoria da comunicação, pedagogia de Paulo Freire, antropologia cultural e resiliência.

Considera-se a TC uma prática terapêutica pós-moderna crítica, que reconhece as influências do macro contexto, sócioeconômico, político, cultural, de gênero e espiritual, manifestando no micro-contexto familiar e nas organizações comunitárias, um contexto de acolhimento pela alteridade, na qual se tem a visão da pessoa e da comunidade como competentes para a ação e para o agenciamento de escolhas[ix].

A TC é ainda um espaço para ampliação da consciência crítica sobre os dilemas existenciais, em que cada pessoa pode transformar a sua história e o seu sofrimento. A mudança decorre da organização do próprio sistema, nas trocas sociais interativas entre eu e o outro[x].

É, portanto, uma estratégia terapêutica não mais centrada no modelo medicalizado, mas na potencialidade do indivíduo, proporcionando o equilíbrio mental, físico e espiritual, através de uma abordagem sistêmica, aliada a suas crenças e valores culturais. […]

Terapia Comunitária: um espaço de fala, partilha e cuidado

A TC representou um espaço de promoção da fala e da escuta qualificada, dando oportunidade para as mulheres grávidas vivenciarem momentos de autoconhecimento, dialogando e explorando dimensões interiores mais subjetivas, fomentando um processo de revalorização, produzindo um estilo de vida criativo, singular e mais confiante, como observado nas falas a seguir:

Lá a gente escuta e também fala e isso é interessante (Tulipa).

O que aprendi na terapia me ajudou na maternidade, a manter a calma, a confiar em mim mesma… (Jasmim).

Essas experiências favoreceram a modificação da própria percepção dos sujeitos sobre sua vida e sua capacidade de adequar-se a novos papéis sociais através do desenvolvimento da consciência crítico reflexiva.

Partilhar experiências é a base da TC, que privilegiou ações coletivas de promoção à saúde e tiveram como foco o cuidado à mulher e à família grávida, contribuindo para a valorização e a competência do indivíduo, família e comunidade, em busca da superação das inquietações do dia-a-dia, como relata Rosa:

Lá eu aprendi que temos que falar as coisas que estão nos fazendo mal. Temos que colocar para fora pra encontrar solução.

Entende-se que a gravidez é um período de transição que faz parte do processo normal do desenvolvimento humano, em que há grandes transformações, não só no organismo da mulher, mas na sua estrutura psicossocial.

É o período de maior incidência de transtornos psíquicos na mulher, como depressão, baixa autoestima e ansiedades, necessitando de um cuidado integral para manter ou recuperar o seu bem-estar. Além disso, é sabido que prejuízo na saúde mental da gestante também altera a relação mãe-filho e, futuramente, o desenvolvimento da criança[xi].

Oferecer a terapia na Unidade de Saúde da Família garantiu-lhes um espaço de fala, as gestantes puderam participar de num clima de confiança e corresponsabilidade, expondo suas inquietações, alegrias, dúvidas e certezas por meio de uma interação com os profissionais.

Sobre isso Dália fala: (…) é uma oportunidade de falar sobre as dúvidas que passa na gravidez, e não dá tempo para falar na consulta do pré-natal porque é rápida. 

Esse espaço de fala permitiu, dessa maneira, às mulheres grávidas buscarem soluções juntamente com esses profissionais e demais participantes da terapia, já que a informação circulou de forma emancipadora.

Vejamos esse pensamento no discurso de Flor: (…) Na consulta não dá tempo falar de tudo porque também é muita gente … Já na terapia dá tempo de falar da gente, trocar experiências de outras gravidezes, escutar as queixas de outras gestantes e ainda relaxar, fazer massagens …  o que não dá tempo falar na consulta do posto eu falo lá para me aliviar e isso tem resolvido.

Sendo assim, a TC foi um espaço para se falar das coisas do dia-a-dia que tiram o sono dessas mulheres, favorecendo a partilha de dificuldades com todo o grupo, sua história, seus medos, suas preocupações, como também, suas competências. Eis o que Flor fala sobre isso:

Nos encontros… conversamos sobre o que está aperreando o juízo … ou preocupando.. O melhor que acho da terapia são as conversas. Porque falo o que está na cabeça perturbando, a gente escuta outras mulheres grávidas que passam ou já passaram por coisas parecidas com as nossas e nos dão força pra vencer.

Como uma das regras da terapia é não dar conselhos cada um falou da sua própria vivência, gerando uma troca de experiência, um momento de partilha onde cada uma pode ir selecionando, da experiência do outro, aquilo que servia para si. Na sua fala, Dália diz: Falei de meus medos na terapia e escutei outras mulheres que também estão grávidas, então, trocando essa experiência, a gente vai superando e diminuindo a ansiedade.

Esse processo proporcionou às colaboradoras desmistificar seus sofrimentos e deu-lhes abertura para compreender outras dimensões da vida comunitária solidária, na escuta dos problemas das outras mulheres participantes e até mesmo possibilitou-lhes ressignificar sua própria inquietação, como encontrado nas seguintes falas:

Vendo como as outras resolveram os seus problemas, os medos, a gente vai se aliviando, vai vendo que também podemos resolver. E assim, aprendo sobre a gravidez, me conheço mais (Flor).

(…) Gosto da terapia porque vejo que meus problemas se tornam coisa simples perto dos outro. (Rosa).

Ressalta-se, que a disponibilidade para ouvi-las com uma postura de acolhimento foi um requisito importante para a ação preventiva. Sobre isso Girassol corrobora: “[…] lá na terapia a gente se sente acolhida.”

Através de cada fala, de cada história compartilhada e do desabafar dos problemas, as participantes compreendem mais a si mesmas e aos outros e saem de lá com um sentimento de pertencimento  ̶  o grupo é lócus de agregação – e de alívio, como encontrado nas narrativas apresentadas pelas depoentes:

(…) é um apoio mesmo que nós precisamos, e isso a terapia ajuda, para dar forças e seguir em frente, pois percebemos que não estamos sozinhas… (Girassol).

(…) a terapia tem ajudado nas conversas porque tem momentos para falar o que está me aperreando e também escuto outras experiências parecidas com a minha e vejo que não estou sozinha (Margarida).

A terapia renovou a esperança em mim. Vi que essa é a dificuldade que tenho e que eu posso enfrentar e sei que cada mulher carrega a sua dificuldade e quando nos juntamos lá podemos falar tudo que está nos angustiando e ter forças, apoiando uma na outra e vamos superando tudo (Gardênia).

Essas experiências na TC despertaram nas participantes a resiliência, o que contribuiu para o empoderamento, já que as tornam capazes de suscitar suas habilidades e recursos para ganhar poder sobre sua vida – autoconfiança. Isso é visto na fala de Tulipa:

Depois que saí de lá, fiquei me sentindo capaz de enfrentar qualquer dificuldade da vida, saí mais aliviada. Aprendi que construir pensamentos positivos mentalmente nos dá força para superar os problemas, os medos. Tenho usado isso e tem me ajudado muito, não só nas coisas da gravidez, mas em qualquer outra situação da vida. 

Percebe-se o significado do empoderamento presente nessas falas, garantindo um “ganho de poder”, sendo esse poder traduzido como habilidade de agir e criar mudanças conscientes, permitindo às participantes despertarem para um significado que mude sua condição de sofrimento[xii].

Na fase de acolhimento da TC com as gestantes, foram incluídos exercícios físicos, relaxamentos, brincadeiras, músicas, técnicas de respiração e massagens. Tudo isso contribuiu como intervenção para o relaxamento das participantes e lenitivo dos sofrimentos. Sobre isso as depoentes relatam:

(…) Gosto dos relaxamentos, dos exercícios e da respiração. Acho importante porque me ajudam com minhas dores (Flor).

E na terapia eu falo, escuto e tenho aprendido… Os exercícios de respiração, as posições pra hora do parto, sobre as massagens e eu sei agora que posso escolher a melhor posição para mim e eu posso decidir isso (Dália).

Aprendi os exercícios, apesar das pernas doerem um pouco, eu tenho feito aqui e em casa (Rosa).

Eu gostei de tudo, é um incentivo que nos fortalece. Me preparou mais e encorajou a me cuidar para ter uma boa gravidez. Aprendi as massagens, ri com as brincadeiras … (Tulipa).

Constatou-se que as brincadeiras proporcionaram uma descontração e despertou um riso suave diante das inquietações e sofrimentos de uma vida de privações e batalha pela sobrevivência. As músicas e orações ajudaram as gestantes a minimizar suas ansiedades, e, assim, poderem encontrar o melhor caminho para viver a gestação com mais equilíbrio e terem um parto tranquilo e consciente. Já as massagens e o relaxamento auxiliaram na descoberta de suas transformações, amenizando medos, além de proporcionarem o contato com o filho. Esses contatos fortalecem as experiências agradáveis que ficam registradas no psiquismo do feto.

O exercício físico possibilita um melhor controle corporal, beneficiando o estado de humor e prevenindo desordens típicas da gestação. Já o relaxamento e os métodos psicoprofiláticos auxiliam a mulher a lidar com as vivências e cuidar de si durante essa fase, como também prepará-la para o parto e a maternidade[xiii].

Essas atividades vinculadas ao pré-natal proporcionam tanto o bem-estar físico quanto o psicológico e com conseguinte melhora do aspecto emocional, promovendo, na gestante, a autoconfiança e elevando sua autoestima, amenizando as dores físicas, como também as dores da alma.

Diante das falas das colaboradas, percebeu-se que quanto mais as gestantes se concentravam em si mesmas e nos seus processos internos iam superando ou aliviando mais facilmente suas ansiedades e entrando em sintonia consigo mesmas, com o bebê e com suas mudanças, como afirma Girassol:

No meu dia-a-dia a terapia ensinou muitas coisas… Lá aprendi que tenho que colocar para fora o que está me preocupando. Quando a gente fala já melhora… Me ajudou a valorizar o meu relacionamento com minha família … a equilibrar as coisas dentro da minha casa e ainda ajudou nas conversas com meu filho para ele entender a vinda de um irmãozinho (Girassol).

Essas intervenções, durante as terapias comunitárias, estabeleceram um cuidar mais humano e harmônico entre profissionais e gestantes. O ser humano é um ser de cuidado, é um ser que tem sentimentos, inclusive é isso que o diferencia da máquina e que o torna humano[xiv]. A capacidade de envolver-se, de dar e receber afeto. É o cuidado que se situa na lógica do afeto, numa relação de convivência que engloba o modo de ser do ser humano[xv].

É a partir do cuidado com o outro que o ser humano desenvolve a dimensão da alteridade, do respeito e de valores fundamentais da experiência humana.

Destarte, nos encontros de TC buscou-se resgatar essa característica do ser humano.

A grande demanda nos serviços de saúde torna o momento da consulta pré-natal algo rotineiro, não favorecendo um cuidar eficaz e se não são problematizadas as ações cotidianas, pode-se reproduzir a reificação nesses atendimentos. 

Soma-se a isso o fato que muitos profissionais vêm de uma formação centrada extremamente na dimensão biológica, o que acaba favorecendo o distanciamento com o cliente. A ineficácia do modelo fechado da biomedicina em modificar a dinâmica do adoecimento e alívio dos sofrimentos desafia muitos profissionais a experimentarem novas práticas em saúde e implantarem novas tecnologias do cuidar (8). A experiência da TC com gestantes foi uma estratégia de enfrentamento dessas problemáticas como se evidencia nas falas de Margarida e Gardênia:

Às vezes, não dá para esclarecer tudo na consulta, porque são muitas mulheres grávidas e lá dá tempo para tudo (Margarida).

Muitas pessoas pensam que as mulheres grávidas só precisam de exames, mas estão enganadas. É através da Terapia Comunitária que vejo que para nós, grávidas, precisa existir esse tipo de atividade, de ser escutada  (Gardênia).

A experiência da TC inserida nas atividades da USF – Ambulantes favoreceu uma nova perspectiva de interpretação dos acontecimentos diários, cultivando-se um estado reflexivo em que a fala e os gestos rotineiros passaram a ser questionados e ressignificados, valorizando-se aspectos relativos às trocas de saber e à interpretação consciente da teia de significados simbólicos presentes nos comportamentos, nas reações, nos discursos e sentimentos.

Nessa perspectiva, houve uma prática de cuidar humanizada e transformadora, onde o relacionamento interpessoal foi um dos elementos que permeou esse processo, em um clima de envolvimento entre todos nós, profissionais de saúde e a comunidade, ou seja, um verdadeiro espaço de inclusão social, de respeito às diferenças, como relatam Violeta e Rosa:

A confiança é importante porque nos deixam a vontade de falar sobre tudo, e assim saio da terapia com coragem… para enfrentar qualquer medo e tirar ele da cabeça  (Violeta).

E quando a gente fala num ambiente que as pessoas escutam direitinho o que estamos dizendo, onde dão atenção, aí é diferente. Eu me senti melhor, mais tranquila, as preocupações nos deixam, eu estou tão “relax”… A terapia comunitária me relaxou… (Rosa).

[…] Nas narrativas das gestantes, percebeu-se a TC como uma estratégia de enfrentamento das suas inquietações, na medida em que se constituiu em um espaço de promoção à saúde, aliviando o sofrimento através da fala, da escuta e da partilha das experiências de vida, possibilitando a construção de um espaço de reflexão e autoconhecimento individual e coletivo.

Considerações Finais

Inserida na comunidade, a TC faz apreender que cada gravidez tem sua história permeada de significados que determinam como as mulheres, a família e comunidade vivenciam esse processo. Através desse entrelaçamento de saberes não se pode querer entender a gravidez a partir de uma visão exclusivamente biológica. Ao contrário, a experiência mostrou a necessidade da transdisciplinariedade das ações para o cuidado situado em cada contexto histórico e em cada cultura.

A socialização das experiências da TC e o conhecimento advindo dos recursos dos próprios indivíduos, das famílias e da comunidade, somam-se na construção de um verdadeiro exercício de liberdade, através da ampliação da consciência da população em relação aos seus direitos. Além disso, fomenta a aquisição de recursos para o desenvolvimento de ações educativas para o autocuidado, para o despertar do empoderamento e da resiliência individual e comunitária, articulando a circulação de informações em um trabalho criado coletivamente.

Este estudo recomenda a TC como uma ação de saúde comunitária, para ser incluída na rede de atenção básica do SUS podendo ser inserida na agenda das unidades de saúde, pois proporciona o acolhimento da comunidade, o fortalecimento de vínculos, a construção de teias de solidariedade e favorece o respeito e a comunicação entre o saber popular e o saber científico.

Enfim, a intervenção da TC com as gestantes representou um trabalho pioneiro, contribuindo para a melhoria da saúde das mulheres bem como contribuiu para a redução de perturbações psicossomáticas na medida em que socializou informações relevantes para que as mulheres pudessem encontrar suas próprias estratégias de enfrentamento para suas dificuldades cotidianas.

[i]  Ministério da Saúde (BR). Presidência da República. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. Brasília (DF); 2004.

[ii] Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Políticas Nacionais de Atenção Integral à Saúde da Mulher: Princípios e Diretrizes. 1ª edição. Brasília (DF); 2004.

[iii] Burroughs A. Uma introdução à enfermagem materna. 6ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas; 1995.

[iv] Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Pré-natal e Puerpério: atenção qualificada e humanizada – Manual técnico. Brasília (DF); 2005.

[v] Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Políticas de Saúde. Assistência pré-natal. 3ª edição. Brasília (DF); 2000.

[vi] Ferreira Filha MO. Terapia Comunitária: uma ação básica de saúde mental. Projeto de Extensão (PROBEX), UFPB/CCS/DESPP; 2006.

[vii] Barreto A. Terapia Comunitária passo a passo. Fortaleza (CE): Gráfica LCR; 2005.

[viii] Barreto A, Rivalta M. Treinando as Etapas da Terapia Comunitária. Fortaleza (CE): [s.n.]; 2004.  

[ix] Grandesso MA. Terapia Comunitária: uma prática pós-moderna crítica – considerações teórico-epistemológicas. In: Anais do 3º Congresso Brasileiro de Terapia Comunitária; 2005 pp.44– 45.

[x] Maldonato MT, Dickstein J, Nahoum JC. Nós estamos grávidos. 12ª edição. São Paulo (SP): Saraiva; 2002.

[xi] Wilheim J. O que é psicologia pré-natal. 3ª edição. São Paulo (SP): Casa do Psicólogo; 1997.

[xii] Vasconcelos EM. O poder que brota da dor e da opressão: empowerment, sua história, teorias e estratégias. São Paulo (SP): Paulus; 2003.

[xiii] Afonso CE, Cabral SB. A atividade física no pré-natal e no parto como forma de relaxamento e alivio da dor. Revista saúde coletiva. São Paulo (SP) 2005 set; 2(7).

[xiv] Dahlke R, Dahlke M, Zahn V. O caminho para a vida: gravidez e parto levando em conta o ser humano como um todo.  São Paulo (SP): Cultrix; 2005.

[xv] Boff L. Saber cuidar: ética do humano: compaixão pela terra. 7ª edição. Petrópolis (RJ): Vozes; 2001.

 

Fonte: Holanda VR, Dias MD, Ferreira Filha MO. Contribuições da terapia comunitária para o enfrentamento das inquietações de gestantes. Revista Eletrônica de Enfermagem [serial on line] 2007 Jan-Abr; 9(1): 79-92. Available from: URL: http://www.fen.ufg.br/revista/v9/n1/v9n1a06.htm

Um encontro… vários convites… nossa realização: ECCOSocial.

       Enquanto participantes do curso de formação em Terapia Comunitária Integrativa (TCI), fomos, também, nos reconhecendo uns nos outros. Nossos caminhos pessoais, familiares, sociais, profissionais, teorias e práticas com as quais nos afinamos. Nossas construções, conquistas, crenças e valores, filosofias de vida, se cruzaram e se combinaram… Fomos nos entrelaçando e conversando, trocando experiências e convivendo em rodas…

       Projetamos e planejamos nos processos de autoapreciação e, mutuamente, nos apreciamos. Foi bem assim que nos aproximamos cada vez mais em nossos saberes e vontades. Descobrimos afinidades atuando como equipe em rodas de TCI. Tanto em focos profissionais, como em perspectivas de vida pessoal, nos unimos e desenvolvemos, semanalmente, rodas de terapia comunitária integrativa aproveitando as oportunidades de local, numa das quais desenvolvemos, também, um projeto entre os funcionários com o nome de “E do cuidador, quem vai cuidar?”

       Se nossos desejos são elogiáveis; se nosso esforço é intenso, mas não suficiente; se várias vezes nos cansamos muito tentando realizar sós; se vários já nos disseram que também gostariam de ajuda para desenvolver bons projetos comunitários; por que não unirmos forças?

        Se alguns guerreiros já conseguiram marcar o caminho ao atingir alvos preciosos, justos e solidários; se, entre estes, alguns lutam na busca de mais recursos materiais e humanos para ampliar os benefícios sociais em torno do que já desenvolveram; por que não somar esforços e facilitar a comunicação entre tantos, sem interesses particulares mesquinhos ou preconceitos limitadores?

       Bem, assim pensando e trabalhando bastante para contagiar com nossa intenção grupal, marcamos um primeiro encontro para aglutinar aqueles cuja forma de pensar em algum momento deixara um registro inquieto e instigador do desenvolvimento de ações concretas na esperança de uma vida em sociedade qualitativamente melhor.

       Estamos impulsionados na Visão de ser ECCOSocial das boas idéias que visem resgatar e promover a valorização da criatividade realizadora no ser humano e nos grupos sociais.

       Como Missão, almejamos promover oportunidades de mudanças sociais significativas a partir dos indivíduos, suas relações pessoais e sociais, visando o seu desenvolvimento integral e comunitário.

       A Filosofia que nos serve de trilho é que, entendendo o sujeito como influenciado e influente, o consideramos de forma holística – físico, emocional, social e espiritual – ao apoiá-lo em seu desenvolvimento integral.

       O objetivo maior da equipe ECCOSocial é não agir isoladamente, mas agregar o máximo de pessoas envolvidas em sonhos e projetos que visem despertar as comunidades para o reconhecimento de suas potencialidades e possibilidades de agir para mudanças em sua realidade pessoal e coletiva.

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“Pode vir, pode chegar…
misturando o mundo inteiro, vamos ver no que é que dá…
tem gente de toda cor, tem raça de toda fé…
e o chão da terra vai tremer… pois, vai rolar a festa!”
(Ivete Sangalo)