Encontro sobre A Arte do Cuidar reúne profissionais da educação em Trajano de Moraes

Por Fabrício Rocha

Quase 120 professores da rede pública de ensino se reuniram na Escola Municipalizada Alfredo Lopes Martins, no Centro da cidade de Trajano de Moraes, para participar do encontro Cuidando de Quem Cuida, ministrado pela ECCOSocial da Região Serrana a convite da Secretaria Municipal de Educação. A atividade, que aconteceu no último dia 14 de julho, foi conduzida pelas terapeutas comunitárias Marise Lutterbach, Cristina Pinho e Tereza Christina Rocha. Um dos principais objetivos foi a vivência, que proporciona o resgate da unidade do ser, na perspectiva do reforço da autoestima do participante. Grupo reunido no início da atividade

Tudo começou com uma grande roda e uma cantiga. Aos poucos os participantes foram convidados a se aproximar do centro da sala, se conhecer um pouco mais e assim foram todos ficando à vontade. Durante quatro horas de encontro o público experimentou uma parte teórica e outra prática, com vivência psico-corporal que permite entrar em contato com as próprias emoções, olhar para si, identificar e expressar alguns sentimentos e motivações para o cuidar. A intenção foi fazer com que esses profissionais retornassem mais acolhedores ao trabalho.

Professoras usam tapa olhos durante a vivência Em boa parte das atividades cada pessoa utilizou um tapa olhos para descobrir os colegas de uma outra perspectiva. O tempo todo foram estimulados a fazer perguntas a si mesmos e refletir sobre afirmações construtivas e instigantes, embaladas sempre por um silêncio que permitisse uma introspecção e a respiração profunda para engatilhar sentimentos.

Professoras prestam atenção à palestraPara ouvir a palestra sobre A Arte do Cuidar, os professores se acomodaram no chão, da maneira como se sentiram confortáveis. Alguns usaram colchonetes, outros recostaram na parede, mas todos estavam bastante atentos à pergunta chave: “quem é você?”. O ato de cuidar requer imaginar, pensar, meditar, prever e programar todas as suas tarefas. Quem se cuida, pode cuidar melhor do outro e do que faz. Aquele que nunca foi bem cuidado ou não se cuida, poderá ter maior dificuldade em encontrar a melhor maneira de cuidar. O resgate, a qualificação e a valorização da autoimagem positiva proporcionam recursos pessoais e sociais para uma melhor qualidade de vida, além de possibilitar a articulação produtiva e satisfatória entre os potenciais descobertos ou revelados. E era para esta libertação que todos estavam ali reunidos. Depoimentos umedecidos por lágrimas ilustraram esse momento tão importante na vida dos profissionais:

– Essa vivência foi uma experiência maravilhosa, porque foram levantadas questões que no nosso dia a dia a gente nem sempre percebe. Questões como quem você é, o que você quer e eu pude perceber com essa experiência que nós vivemos em um vulcão de sentimentos e emoções onde nós temos que encontrar a receita para passar por isso tudo. Vai mudar bastante no meu trabalho porque, muitas vezes, nós prejulgamos e até julgamos nossos alunos sem conhece-los realmente. Sem saber o que eles sentem, o que eles passam e essa vivência me abriu os olhos. Eu vou procurar trabalhar mais em cima disso e conhecer mais os meus alunos. – Compartilhou a professora Luise Folly Machado Pinheiro.

Um abraço emocionado entre duas participantesAo final, terapeutas e professores se misturaram em uma grande ciranda embalada talvez não pela música, mas por risadas de satisfação de quem alcançou um objetivo comum. Afinal todos os adultos, de uma forma ou de outra, têm o trabalho de cuidar, seja direta ou indiretamente, de alguém, de seu trabalho ou de si mesmo. No cumprimento de suas tarefas, encaradas como rotineiras ou não, pouco a pouco se percebem afetados e desgastados em seu bem-estar geral. E é por isso que a ECCOS desenvolve este trabalho, que segundo a secretária de educação do município, Rosseline Almeida de Carvalho, alcançou a proposta original:

– Foi um momento muito único de introspecção. Foi olhar para dentro de nós trazendo muito ensinamento e reflexão. Eu, por exemplo, aprendi hoje que quando se olha para alguém julgando, procurando defeito, a gente sofre. Mas quando a gente olha para o outro com aquele olhar compassivo, procurando qualidades, olhar da gente não dói. É um olhar de satisfação e eu levo isso para a sala de aula: quando eu olho pro meu aluno e não estou procurando defeito no meu aluno eu me sinto melhor. Eu acho que foi isso que ficou para os professores que estavam na capacitação. Aprender a olhar o outro não procurando defeito, mas procurando nele o que ele tem de bom. Porque se a gente procura em alguém o que essa pessoa tem de bom, a gente acha o que a gente tem de bom dentro da gente também.

Clique aqui e confira todas as fotos do evento

Clique aqui e confira todas as fotos do evento

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s