Terapia Comunitária – Promoção da Autonomia e de Conexões Comunitárias

“Se queremos transformar as comunidades de excluídos, fazendo com que se integrem, que descubram seus valores como pessoas, os valores que a cultura oferece como recursos, que foram destruídos pelo colonizador e continuam sendo por outras formas de colonização, temos que ajudá-las nesta descoberta. Temos que ajudá-las a verbalizar suas sensações e suas emoções, transformando-as em pensamento transformador. A partir daí, os excluídos poderão ser sujeitos da história, e não mais meras vítimas e espectadores. O ponto de partida da roda de Terapia Comunitária é uma “situação-problema”, apresentada por alguém e escolhida pelo grupo. O animador procura estimular e favorecer a partilha de experiências possibilitando a construção de redes de apoio social. É a partilha de experiências entre os participantes que mostra as possíveis estratégias de superação dos sofrimentos do cotidiano e permite a comunidade encontrar, nela mesma, as soluções para os problemas que a pessoa, a família e os serviços públicos não foram capazes de encontrar isoladamente. A comunidade descobre que ela tem problemas, mas também tem as soluções. Quem chega com um problema vai sair com algumas possibilidades de resolução e, aos poucos, vai descobrindo que a superação dos problemas não é obra particular de um indivíduo, de um iluminado, ou de um terapeuta, mas é da coletividade. Descobrir que seu sofrimento tem a ver com variantes sociais que precisam ser prevenidas possibilita às pessoas: relativizar seus sofrimentos; descobrir que não estão sós; receber o apoio do grupo; criar novos vínculos e construir nova rede de apoio, favorecendo um maior grau de autonomia, de consciência social e co-responsabilidade. O mote, ou seja, a pergunta-chave que desencadeia a reflexão é: ‘Quem já viveu algo parecido e o que fez para resolver?’ Emergem então do próprio grupo as várias possibilidades de resolução. A comunidade partilha as experiências similares de vida e sabedorias de forma horizontal e circular. Cada um torna-se terapeuta de si mesmo a partir da escuta das histórias de vida. Todos são co-responsáveis na busca de soluções e na superação dos desafios do cotidiano. A comunidade torna-se espaço de acolhimento e de cuidado, sempre atenta às regras: fazer silêncio; não dar conselhos; não julgar; falar de si usando a primeira pessoa – EU; propor músicas, poesias ou histórias apropriadas. Na Terapia Comunitária, a palavra é o remédio, o bálsamo, a bússola para quem fala e para quem ouve. Na roda de Terapia Comunitária procura-se: fazer uma reflexão sobre o sofrimento causado pelas situações estressantes; criar espaços de partilha destes sofrimentos, digerindo uma ansiedade paralisante que traz riscos para a saúde destas populações; prevenir, promover a saúde (atitude positiva) em espaços coletivos, e não combater a patologia (atitude negativa) individualmente. Estes fatores estressantes só podem ser enfrentados com a força do grupo no devido tempo, antes que degenerem em patologias, encarecendo o tratamento. Poder contar com um recurso (vizinhos, amigos) torna a pessoa menos dependente das instituições, menos oprimida pelos próprios problemas e, portanto, mais autônoma.” (Adalberto Barreto, 2007)

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